Tears For Fears encerra turnê brasileira com clássicos dos anos 80


Tears For Fears encerra turnê brasileira com clássicos dos anos 80

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Após uma turnê de quase dois meses pela América Latina, o duo inglês Tears For Fears pode voltar à terra natal com a sensação de missão cumprida. Comemorando os 30 anos de carreira – e de grandes hits que ainda hoje são tocados nas rádios –, Roland Orzabal e Curt Smith lotaram o Credicard Hall, em São Paulo, na noite da última sexta-feira (14). O desejo de assistir, ao vivo, a clássicos como “Shout”, “Head Over Heels” e “Sowing The Seeds Of Love” fez o público esgotar os ingressos do show de 6 de outubro e da apresentação extra, ambos na capital paulista – o roteiro brasileiro ainda incluía Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte.

Ainda com as luzes apagadas, alguns membros da equipe da banda perambulavam pelo palco com copos de cerveja na mão, matando os fãs – a maioria na faixa dos 40 anos – de ansiedade. Minutos depois, por volta das 21h30, um jovem de cabeça raspada se dirigiu à frente do tablado, apanhou um violão, deu os primeiros acordes e soltou a voz. Assim, de repente. Ninguém sabia de quem se tratava e as músicas eram desconhecidas, mas a performance intimista do backing vocal canadense Michael Wainwright, que faz a abertura para o Tears For Fears desde 2009, foi o suficiente para a plateia acabar com o burburinho e prestar atenção. Não acabou por aí: no final, ele surpreendeu ao pintar o rosto de branco e vermelho, como um palhaço.

Projeções abstratas no telão e trilha sonora digna de ficção científica indicavam a entrada da banda com 15 minutos de atraso – cadê a pontualidade britânica? Logo no início, os fãs foram ao delírio com “Everybody Wants To Rule The World”, o que acabou dando espaço para a menos famosa “Secret World”, do álbum mais recente “Everybody Loves a Happy Ending”, lançado em 2004.

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Depois de “Sowing The Seeds Of Love”, a terceira canção da noite, uma surpresa: o vocalista e guitarrista Roland Orzabal, que ainda preserva a típica cabeleira cacheada, faz o primeiro contato com o público num português quase perfeito. “Boa noite. Estamos felizes por estarmos de volta. Estávamos aqui há algumas semanas e foi fantástico”. Citando os países por onde passaram, foi inevitável uma chuva de vaias com a menção da rival Argentina. Bem humorado, ele respondeu com um provocativo “Lo siento” (“Desculpe”, em espanhol).

Mesmo mesclando composições nem tão conhecidas, o clima nostálgico dos anos 80 reinou. Quem foi atrás de sucessos como “Change”, “Mad World”, “Advice For The Young At Heart”, “Head Over Heels” e “Pale Shelter” comemorou – e saiu ainda mais satisfeito com a versão lenta e romântica de “Billie Jean”, de Michael Jackson. O bis ficou por conta de “Shout”, cujos versos foram berrados em uníssono, e a aguardadíssima “Woman In Chains”, que traz Oleta Adams na gravação original. A pergunta que não queria calar: quem comandaria a parte feminina do dueto? E, mais uma vez, Michael Wainwright roubou a cena com agudos impecáveis e um alcance vocal de dar inveja a muito frontman.

Aliás, sintonia é o que não faltou na última apresentação da turnê latina, tanto entre os músicos quanto com os fãs. Após três décadas de estrada, os ingleses mostraram que continuam em plena forma e sabem embalar um show de duas horas com carisma, talento e propriedade.

“Nós vamos para casa amanhã”, anunciou o vocalista e baixista Curt Smith, que preferiu não soltar nenhuma palavra em português para não decepcionar. “Eu não sou tão bom em línguas como o Roland”, acrescentou, arrancando risos. Mas como os brasileiros adoram um agrado, principalmente se for relacionado a futebol, bastou que ele vestisse uma camisa azul da Seleção para conquistar o público de vez. Na passagem pelo País, o Tears For Fears conseguiu estreitar os laços com os fãs – e, por que não dizer, semear o amor.


Fonte: IG

 

 

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